Depois de meses de acompanhamento pelo Hospital Materno-Infantil Dr. Azancot de Menezes, confirmação científica da filiação permite avançar para uma nova fase de protecção e encaminhamento da criança
A história da criança que, nos últimos meses, mobilizou as redes sociais e despertou a atenção de milhares de angolanos entrou ontem, Sexta-feira, 4 de Setembro, numa nova etapa, após a confirmação científica da sua filiação biológica através de um segundo exame de identificação genética realizado pelo Laboratório Central de Criminalística, em Luanda.
Nascida a 15 de Dezembro de 2025, no Hospital Geral de Luanda, e com síndrome de Down, a criança passou posteriormente a ser acompanhada pelo Hospital Materno-Infantil Dr. Manuel Pedro Azancot de Menezes, no município do Camama, por orientação da *Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta.
A orientação teve como propósito assegurar a continuidade dos cuidados de saúde e garantir que a criança permanecesse num ambiente seguro, com alimentação, higiene, acompanhamento clínico, protecção e condições adequadas ao seu desenvolvimento, enquanto o caso era encaminhado pelas entidades competentes.
Perante a ausência inicial de acompanhamento parental efectivo, o Ministério da Saúde orientou o acolhimento da criança numa unidade hospitalar, assegurando que não ficasse privada dos cuidados indispensáveis à sua saúde e bem-estar.
Desde então, o Hospital Materno-Infantil Dr. Azancot de Menezes assegurou o acompanhamento contínuo da criança, através das suas equipas médicas, de enfermagem e de apoio.
Durante o período em que a imagem da criança circulava pelas redes sociais, gerando solidariedade, preocupações e diferentes versões sobre o caso, dentro do hospital uma equipa trabalhava diariamente para garantir a sua assistência e segurança.
Actualmente, a criança apresenta-se saudável e já dá os seus primeiros passos, depois de vários meses sob acompanhamento da unidade hospitalar.
Mais do que uma resposta clínica, a actuação do Hospital Azancot de Menezes representou uma resposta humana e institucional perante uma situação de particular vulnerabilidade.
O acompanhamento desta criança insere-se numa missão mais ampla do Hospital Materno-Infantil Dr. Manuel Pedro Azancot de Menezes, unidade de referência na prestação de cuidados diferenciados à mulher, à criança e ao recém-nascido.
Desde a sua entrada em funcionamento, a 1 de Junho de 2022, o hospital tem vindo a consolidar a sua intervenção nas áreas assistencial, formativa e de humanização dos cuidados, tendo completado, este ano, quatro anos de actividade.
Ao longo deste período, a unidade tornou-se uma das estruturas hospitalares de maior procura na área materno-infantil, atendendo diariamente cerca de 500 pacientes, entre grávidas, não grávidas e crianças.
Na área obstétrica, o hospital realiza cerca de 80 a 100 partos por dia, mantendo uma actividade permanente de acompanhamento às gestantes, puérperas e recém-nascidos, ao mesmo tempo que responde a situações de urgência e a diferentes patologias pediátricas.
O hospital destaca-se igualmente pela sua componente de formação e ensino, funcionando como hospital-escola e mantendo uma intensa actividade pedagógica diária.
Neste âmbito, está prevista, para Dezembro deste ano, a formação dos primeiros especialistas em áreas como Ginecologia, Neonatologia e Cuidados Intensivos Pediátricos e de Adultos, reforçando a capacidade nacional de formação especializada e contribuindo para a melhoria da resposta do Serviço Nacional de Saúde.
Na área pediátrica, a unidade dispõe de Cirurgia Pediátrica e tem contribuído para a resolução de casos de elevada complexidade, incluindo o atendimento e tratamento de crianças com patologias cardíacas, permitindo o acompanhamento e encaminhamento de casos de acordo com as necessidades clínicas.
A actividade do hospital estende-se igualmente a situações de particular vulnerabilidade social. Ao longo dos anos, a unidade acolheu recém-nascidos deixados sem acompanhamento parental identificado ou encontrados em circunstâncias de abandono, assegurando os cuidados necessários enquanto os casos são encaminhados às entidades competentes, incluindo a área da Acção Social.
Alguns destes processos encontram-se actualmente em fase de encaminhamento e entrega às estruturas competentes, tendo sempre como referência o superior interesse da criança.
Esta dimensão social reforça o papel do hospital para além da assistência médica, enquanto espaço de acolhimento e protecção de crianças em situações de especial vulnerabilidade.
O caso ganhou grande visibilidade pública depois de surgirem dúvidas em torno da identidade e filiação da criança.
Um primeiro exame de identificação genética realizado em Espanha havia indicado uma probabilidade de filiação de 99,99999%.
Perante as dúvidas manifestadas pelos progenitores relativamente ao primeiro resultado, e tendo em conta que o primeiro teste havia sido anteriormente contestado e negado pela família, foi realizado um segundo exame de identificação genética pelo Laboratório Central de Criminalística, em Luanda, com o propósito de contrapor e confirmar, de forma independente, os resultados do primeiro teste.
Os resultados agora apresentados confirmam os resultados anteriormente obtidos, estabelecendo a filiação biológica da criança e afastando a hipótese de troca de bebés que chegou a ser levantada no âmbito do caso.
A confirmação científica representa um momento importante num processo que envolveu diferentes instituições e exigiu uma resposta articulada nas dimensões clínica, científica, social, investigativa e de protecção da criança.
O encontro realizado, sexta-feira, que reuniu os progenitores da criança e representantes das instituições envolvidas no acompanhamento do caso, contou com a presença do Secretário de Estado para a Área Hospitalar, Dr. Leonardo Inocêncio; do Inspector-Geral da Saúde, Dr. Miguel Santos de Oliveira; da Directora do Gabinete de Ética e Humanização, Dra. Djamila Príncipe; da Directora do Hospital Materno-Infantil Dr. Azancot de Menezes, Dra. Manuela Mendes; bem como de representantes do Instituto Nacional de Apoio à Criança (INAC), do Serviço de Investigação Criminal (SIC), do Gabinete Jurídico do Ministério da Saúde, do Laboratório Central de Criminalística e de outros técnicos envolvidos no processo.
A intervenção conjunta destas entidades permitiu acompanhar a situação nas suas diferentes dimensões, contribuir para o esclarecimento da filiação e criar as condições necessárias para o devido encaminhamento da criança.
O caso demonstra igualmente a importância de uma resposta integrada do Estado perante situações que envolvam crianças em condição de vulnerabilidade, em que a assistência médica deve caminhar lado a lado com a protecção, o acompanhamento social e a salvaguarda dos seus direitos.
Do ponto de vista clínico, foi esclarecido que a criança se encontra actualmente saudável e sem indicação médica que justifique a sua permanência prolongada numa unidade hospitalar.
Concluída a intervenção clínica do sector da Saúde, inicia-se agora uma nova etapa, que deverá ser acompanhada pelas entidades competentes em matéria de protecção da criança e responsabilidades parentais.
Caberá às instituições competentes avaliar e adoptar as medidas necessárias, tendo sempre como referência o superior interesse da criança, a sua segurança, dignidade e direito a um ambiente adequado ao seu desenvolvimento.
Ao longo deste processo, merece reconhecimento a orientação do Ministério da Saúde para que a criança fosse encaminhada para uma unidade hospitalar, garantindo uma resposta institucional perante uma situação que exigia acompanhamento permanente.
Igualmente merece reconhecimento a Direcção do Hospital Materno-Infantil Dr. Azancot de Menezes e todos os profissionais que, durante meses, estiveram directamente envolvidos no acompanhamento da criança.
O trabalho realizado por médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares, pessoal administrativo e trabalhadores de apoio demonstra a dimensão humana da missão hospitalar, sobretudo perante situações em que a criança necessita de cuidados para além do acto médico.
Com a confirmação da filiação pelos dois exames de ADN, encerra-se uma etapa de um caso que, durante meses, ultrapassou as paredes do hospital e mobilizou a atenção da sociedade angolana.
Por detrás da história que se tornou viral, existe também uma outra realidade: a de uma criança que, durante meses, encontrou no hospital uma estrutura de cuidado, acompanhamento e protecção.
Para esta criança começa agora um novo capítulo, que deverá ser acompanhado pelas instituições competentes, tendo como prioridade o seu superior interesse, segurança, dignidade e desenvolvimento.
“Enquanto a sociedade discutia a história nas redes sociais, dentro do hospital havia uma equipa a cuidar da criança.”
Fonte: GTICI – Ministério da Saúde, Luanda, 5 de Setembro de 2026.