• ANGOLA ACELERA COMBATE AO VIH E DEFINE ROTA PARA ELIMINAR A SIDA COMO AMEAÇA À SAÚDE PÚBLICA ATÉ 2030


    Angola iniciou Segunda-feira, 22 de Junho em Luanda, a avaliação do VII Plano Estratégico Nacional de Resposta ao VIH, Hepatites Virais e Outras Infecções de Transmissão Sexual (ITS), referente ao período 2023–2026, num momento considerado decisivo para a definição das políticas que deverão conduzir o país à eliminação da SIDA como ameaça à saúde pública até 2030.
    O processo marca igualmente o arranque da elaboração do VIII Plano Estratégico Nacional 2027–2030, instrumento que orientará as acções de prevenção, diagnóstico, tratamento e apoio às pessoas que vivem com VIH, alinhando Angola aos compromissos globais assumidos no âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
    A cerimónia de abertura foi presidida pelo Secretário de Estado para a Saúde Pública, Dr. Carlos Alberto Pinto de Sousa, em representação da Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, coordenadora do Comité Técnico Nacional da Comissão Nacional de Luta contra a SIDA e Grandes Endemias (CNLS-GE).

    Na ocasião, o governante destacou os progressos alcançados pelo país na resposta à epidemia, sublinhando que Angola continua entre os países com menor prevalência de VIH na África Subsaariana, estimada em 1,6%, segundo os resultados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2023–2024).

    Apesar deste desempenho positivo, alertou para a persistência de disparidades territoriais, sobretudo nas províncias fronteiriças. As maiores taxas de prevalência continuam a ser registadas na Lunda Sul (4,9%) e na Lunda Norte (4,4%), o que exige respostas diferenciadas e maior concentração de recursos.
    Actualmente, estima-se que cerca de 370 mil pessoas vivam com VIH em Angola, das quais aproximadamente 240 mil são mulheres. Entre estas encontram-se cerca de 28 mil gestantes seropositivas, reforçando a importância dos programas de prevenção da transmissão vertical.
    No domínio do tratamento, os indicadores revelam uma evolução significativa. O número de pessoas em terapia antirretroviral aumentou de 128.292 em 2021 para 188.426 em 2025, enquanto a taxa de supressão viral passou de 79% para 85%, resultado associado à expansão nacional dos regimes terapêuticos baseados no Dolutegravir (DTG).

    Outro avanço considerado relevante pelas autoridades foi a redução da transmissão vertical do VIH, que diminuiu de 26% em 2019 para 13% em 2025, refletindo o fortalecimento das intervenções de saúde materna e infantil.

    Durante a sua intervenção, o Secretário de Estado reconheceu, contudo, que persistem desafios importantes, entre os quais a redução do financiamento internacional destinado à resposta ao VIH, bem como o estigma, a discriminação e a insuficiente literacia em saúde, factores que continuam a dificultar o acesso aos serviços e a adesão ao tratamento.

    Ainda assim, reafirmou o compromisso do Executivo angolano em assegurar a continuidade e expansão dos serviços de prevenção, testagem, tratamento e acompanhamento das pessoas afetadas.

    O workshop reúne representantes de instituições governamentais, parceiros internacionais, organizações da sociedade civil, especialistas de saúde pública e comunidades afectadas, num processo participativo de avaliação dos resultados alcançados e de definição das prioridades estratégicas para os próximos anos.

    O futuro VIII Plano Estratégico Nacional 2027–2030 deverá incorporar novas evidências científicas, reforçar os mecanismos de monitorização e avaliação e promover abordagens mais inovadoras e inclusivas, especialmente dirigidas às populações mais vulneráveis.

    Com esta iniciativa, Angola reforça o seu compromisso com a agenda global de saúde pública e com o objectivo de pôr fim à SIDA como ameaça à saúde pública até 2030.

    Fonte: Gabinete de Tecnologias de Informação e Comunicação Institucional (GTICI), do Ministério da Saúde.