País mantém vigilância activa, reforça cooperação internacional e intensifica resposta sanitária nas zonas endémicas.
No quadro da sua participação activa na 79.ª Assembleia Mundial da Saúde, a Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Lutucuta, reafirmou esta quinta-feira, 21 de Maio, o compromisso de Angola com a erradicação da dracunculose, durante a reunião ministerial de alto nível dedicada ao combate às doenças tropicais negligenciadas.
Na sua intervenção, a governante destacou os progressos alcançados pelo país, os desafios ainda existentes e o apoio contínuo dos parceiros internacionais no reforço da resposta nacional à doença.
O encontro reuniu ministros da saúde, representantes governamentais, organizações multilaterais, parceiros técnicos, instituições financiadoras e organizações internacionais envolvidas no combate às doenças tropicais negligenciadas.
A Ministra esteve acompanhada pela Directora Nacional de Saúde Pública, Dra. Helga Freitas, pela consultora Dra. Diozandra Marina de Oliveira Guimarães, bem como por outros membros da delegação ministerial angolana.
Durante o pronunciamento, a responsável informou que Angola registou três casos humanos confirmados de dracunculose entre 2018 e 2020, não tendo sido reportados novos casos humanos desde então.
Apesar deste avanço significativo, o país continua a enfrentar desafios relacionados com infeções em animais, sobretudo cães domésticos.
Segundo os dados apresentados, Angola contabiliza um acumulado de 204 infecções animais até 2025, realidade que continua a exigir forte vigilância epidemiológica, coordenação multissectorial e respostas integradas ao nível comunitário.
A Ministra sublinhou que Angola mantém um firme compromisso com a erradicação da doença, em alinhamento com os esforços globais coordenados pela Organização Mundial da Saúde e parceiros internacionais.
O compromisso político do Executivo foi igualmente demonstrado através da participação ministerial na primeira Reunião de Revisão Nacional do Programa de Erradicação da Dracunculose na Guiné-Bissau, realizada em Fevereiro de 2026, em Ondjiva, bem como pelas missões ministeriais efectuadas às áreas endémicas da província do Cunene nos anos de 2023, 2024 e 2025.
A governante destacou ainda a estreita colaboração entre Angola e a Namíbia, através de reuniões bilaterais regulares envolvendo autoridades nacionais e provinciais, com vista ao reforço da vigilância transfronteiriça e à harmonização das estratégias conjuntas de combate à doença.
Em resposta à situação epidemiológica, Angola reforçou as actividades de vigilância activa, mobilização comunitária e coordenação multissectorial, com apoio técnico internacional.
A Ministra explicou que, em 2020, a OMS destacou uma equipa técnica para a província do Cunene, actualmente considerada o epicentro da doença no país. A intervenção permitiu identificar aldeias de alto risco, mapear fontes de água utilizadas pelas comunidades e formar agentes comunitários de saúde para reforçar a detecção e notificação de casos.
Entre as principais medidas implementadas destacam-se a distribuição de filtros de água, o tratamento de fontes hídricas com larvicidas, o controlo de animais infectados, campanhas de sensibilização comunitária e investigações epidemiológicas contínuas.
De acordo com os dados apresentados, só em 2025 foram distribuídos 97.447 filtros de água para 28.254 famílias na província do Cunene. Paralelamente, 345 fontes de água foram tratadas em 57 aldeias localizadas nos municípios de Cuanhama e Namacunde.
O Programa Nacional de Prevenção das Doenças Tropicais continua igualmente a beneficiar do apoio técnico e operacional da OMS, do Centro Carter e dos Centers for Disease Control and Prevention.
Segundo a Ministra, desde 2024 o Centro Carter tem apoiado activamente as actividades de controlo veterinário, o fortalecimento da resposta operacional e o envio de amostras para o laboratório de referência da CDC, em Atlanta.
Em 2026, foram igualmente enviadas ao Instituto Nacional de Saúde várias amostras provenientes de humanos e animais domésticos, reforçando a capacidade laboratorial e a vigilância contínua da doença. Angola prevê ainda fortalecer a capacidade nacional de diagnóstico, com destaque para a implementação imediata de testes específicos para detecção de infeções em cães.
Outro eixo prioritário do Executivo angolano, sob liderança do Presidente João Lourenço, é a melhoria do acesso à água potável nas comunidades afectadas, em coordenação com a Direcção Nacional de Águas.
No final da intervenção, a Ministra expressou gratidão à OMS, ao Centro Carter, à CDC África e aos demais parceiros internacionais pelo apoio técnico e financeiro prestado ao programa nacional de erradicação da dracunculose.
“Angola continua comprometida com a erradicação desta doença e com a protecção da saúde das comunidades afectadas”, concluiu Sílvia Lutucuta.
Fonte: GCI – Ministério da Saúde, Genebra, 21 de Maio de 2026.