• Angola e Namíbia unem lideranças e técnicos em ofensiva transfronteiriça contra a pólio


    O município fronteiriço de Namacunde, na província do Cunene, foi, esta Quarta-feira, 25 de Fevereiro, palco de uma forte mobilização política, técnica e comunitária para travar a circulação do poliovírus variante tipo 2, com o lançamento oficial da campanha sub-nacional de vacinação contra a poliomielite, sincronizada entre Angola e Namíbia.

    O acto foi presidido pela ministra da Saúde de Angola, Dra Sílvia Paula Valentim Lutucuta, ladeada pelo vice-governador da província do Cunene para o Sector Político, Social e Económico, Dr. Apolo Ndinoulenga, em representação da governadora provincial, e por membros do Governo Provincial, numa cerimónia marcada por apelos à mobilização total das comunidades para que nenhuma criança fique por vacinar.

    Na linha da frente estiveram igualmente a directora nacional de Saúde Pública, Dra. Helga Freitas, quadros seniores do Ministério da Saúde (MINSA), administradores municipais, autoridades tradicionais e representantes do Executivo namibiano, numa demonstração clara de unidade institucional e cooperação transfronteiriça face a uma ameaça sanitária comum.

    Em representação da ministra da Saúde da Namíbia, Dra. Esperance Luvindao, participou o Dr. Rober Nandjila, que sublinhou o simbolismo da iniciativa conjunta numa região onde as comunidades mantêm laços históricos, culturais e familiares.

    A governadora do Cunene, Dra. Gerdina Didalewa, foi destacada pela ministra angolana pelo empenho do governo provincial no reforço da vigilância epidemiológica e na mobilização comunitária, numa província considerada estratégica pela extensa fronteira que partilha com a Namíbia.

    A campanha decorre de 24 a 27 de Fevereiro e tem como meta vacinar cerca de 230 mil crianças até aos 10 anos de idade, em 13 municípios das províncias do Cunene, Cuando, Cubango e Namibe.

    A estratégia será predominantemente porta a porta, mobilizando profissionais de saúde, técnicos de cadeia de frio, mobilizadores sociais, voluntários, forças de defesa e segurança e líderes comunitários.

    “Enquanto houver poliovírus em qualquer parte do mundo, todas as crianças permanecem em risco. Precisamos que nenhuma casa fique por visitar e nenhuma criança por vacinar”, apelou Sílvia Lutucuta, sublinhando que a erradicação da pólio constitui uma “responsabilidade histórica e colectiva”.

    A ministra recordou que Angola eliminou o poliovírus selvagem em 2011, com certificação oficial em 2015, mas advertiu que a circulação de variantes continua a ameaçar os ganhos alcançados. Em 2025, o sistema nacional de vigilância detectou 24 casos de poliovírus variante tipo 2 em sete províncias.

    No mesmo período, a Namíbia identificou o vírus numa amostra ambiental no distrito de Rundu, geneticamente ligada aos casos angolanos, facto que reforçou a necessidade de uma resposta coordenada e sincronizada entre os dois países.

    “As doenças não têm fronteiras”, afirmou o Dr. Rober Nandjila, defendendo que a acção conjunta permite optimizar recursos, reforçar a partilha de experiências técnicas e garantir que todas as crianças ao longo da linha fronteiriça sejam protegidas.

    O lançamento contou ainda com a presença do representante da Organização Mundial da Saúde em Angola, Dr. Indrajit Hazarika, bem como de representantes do UNICEF, da GAVI, da Fundação Bill e Melinda Gates e do Rotary International, parceiros que asseguram apoio técnico e financeiro à campanha.

    No seu pronunciamento, a directora nacional de Saúde Pública, Dra. Helga Freitas, reforçou que “o vírus circula onde encontra crianças não vacinadas”, defendendo o reforço da vacinação de rotina e da vigilância activa como pilares para interromper definitivamente as cadeias de transmissão.

    Num momento marcado pela emoção, a ministra dirigiu-se directamente aos pais e encarregados de educação:
    “São apenas duas gotas. Duas gotas que impedem a paralisia das nossas crianças.”

    O Executivo apelou à colaboração das comunidades para facilitarem o acesso das equipas às residências durante os quatro dias da campanha.

    Com forte presença institucional, envolvimento comunitário e cooperação internacional, Angola e Namíbia enviam uma mensagem inequívoca: a luta contra a poliomielite é regional, coordenada e centrada nas pessoas.

    Cada criança vacinada representa mais do que um número, é um passo firme rumo a uma geração livre da pólio.