• ANGOLA LANÇA FORMAÇÃO ESPECIALIZADA EM NEUROFISIOLOGIA CLÍNICA PARA REFORÇAR O DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS NEUROLÓGICAS


    ANGOLA LANÇA FORMAÇÃO ESPECIALIZADA EM NEUROFISIOLOGIA CLÍNICA PARA REFORÇAR O DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS NEUROLÓGICAS

    Iniciativa inédita do Ministério da Saúde já envolve 20 profissionais e prevê abranger cerca de 200 quadros do Serviço Nacional de Saúde, com vista à expansão do diagnóstico especializado e à melhoria da assistência aos cidadãos

    Angola deu, esta Quinta-feira, 29 de Outubro, um passo estratégico no desenvolvimento da medicina neurológica, com a abertura oficial do II Simpósio Angolano de Neurofisiologia e o lançamento do curso de especialização em Neurofisiologia Clínica, uma iniciativa inédita no país que visa reforçar a capacidade nacional de diagnóstico, monitorização e acompanhamento das doenças do sistema nervoso.

    O acto de abertura foi presidido pelo secretário de Estado para a Saúde Pública, Dr. Carlos Alberto Pinto de Sousa, em representação de Sua Excelência a ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, e marcou o início de uma nova etapa na formação de profissionais especializados e no fortalecimento das competências técnico-científicas do sector da saúde.

    A cerimónia contou com a presença do secretário de Estado para a Área Hospitalar, Dr. Leonardo Inocêncio; da directora nacional dos Hospitais, Dra. Francisca Quifica; do director-geral do Instituto de Especialização em Saúde (IES), Dr. Djamel Kitumba; e do coordenador e gestor técnico da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), Prof. Doutor Job Monteiro.
    Participaram igualmente membros do Conselho de Direcção do Ministério da Saúde, directores de unidades hospitalares e responsáveis das áreas pedagógicas, professores e especialistas brasileiros, médicos neurologistas, representantes da Sociedade Angolana de Neurologia e de instituições de ensino e formação, bem como os profissionais envolvidos nas acções de capacitação em Neurofisiologia.

    Entre os convidados internacionais destacou-se o Prof. Doutor Fernando Cendes, da Universidade Estadual de Campinas, no Brasil, cuja participação reforça a cooperação científica entre Angola e instituições de referência na área das neurociências.
    Na sua intervenção, o secretário de Estado para a Saúde Pública sublinhou que a iniciativa representa mais do que um encontro científico, constituindo um marco para o desenvolvimento da formação especializada em Angola.
    “Hoje não nos reunimos apenas para partilhar ciência. Reunimo-nos para sinalizar um marco: o arranque em Angola da formação especializada em Neurofisiologia Clínica, uma subespecialidade que até hoje nunca foi ministrada no nosso país”, afirmou, em representação da ministra da Saúde.

    O governante destacou a importância desta área para o diagnóstico e acompanhamento de diversas patologias neurológicas, sublinhando que a utilização de tecnologias modernas deve ser acompanhada por profissionais devidamente preparados, supervisão técnica e mecanismos de controlo da qualidade.
    “-O equipamento, por si só, não faz o diagnóstico. A tecnologia só produz resultados quando é utilizada por profissionais bem preparados, com métodos adequados, supervisão técnica e garantias de qualidade”, salientou.

    No âmbito desta iniciativa, 20 profissionais de saúde, provenientes de diferentes instituições e províncias do país, iniciaram, a 26 de Outubro, as acções de capacitação técnica, com enfoque na electroencefalografia e na monitorização neurofisiológica intra-operatória.
    A formação pretende desenvolver competências para a realização e interpretação de exames especializados, contribuindo para diagnósticos mais precisos, maior segurança nos procedimentos clínicos e melhoria da qualidade dos cuidados prestados aos doentes.
    A iniciativa prevê abranger, progressivamente, cerca de 200 profissionais do Serviço Nacional de Saúde, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica e outros profissionais ligados às neurociências.
    Uma das prioridades do programa consiste em reduzir as limitações no acesso aos exames neurofisiológicos especializados, sobretudo nas unidades sanitárias localizadas fora de Luanda, promovendo a descentralização do conhecimento e o reforço da capacidade de resposta das instituições de saúde.
    O modelo de capacitação prevê que os profissionais desenvolvam competências para realizar exames nas respectivas unidades sanitárias, com acompanhamento dos formadores e apoio técnico contínuo na análise e interpretação dos resultados.
    Este processo será articulado com a coordenação sediada no Hospital Geral do Exército Pedro Maria Tonha «Pedalé», em Luanda, onde decorrem actividades de capacitação técnica e formação especializada.
    A estratégia pretende criar uma rede progressiva de profissionais qualificados, assegurando que a expansão dos serviços seja acompanhada por protocolos clínicos, supervisão adequada e mecanismos de garantia da qualidade.
    Para o Ministério da Saúde, o desenvolvimento desta subespecialidade constitui uma resposta à necessidade de reforçar os recursos humanos especializados, melhorar a capacidade de diagnóstico e aproximar os serviços de saúde dos cidadãos.
    O II Simpósio Angolano de Neurofisiologia decorre nos dias 29 e 30 de Outubro de 2026, na Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas (ENAPP), em Luanda, reunindo especialistas nacionais e internacionais das áreas de Neurologia, Neurofisiologia, Fisiologia e Neurocirurgia.
    O encontro promove a actualização científica, a partilha de experiências e a discussão de técnicas avançadas de diagnóstico e monitorização, num contexto de crescente necessidade de profissionais especializados no acompanhamento das doenças neurológicas.
    O programa científico integra conferências e sessões técnicas sobre semiologia neurológica, electroencefalografia, electroneuromiografia, distonia, epilepsia refractária e monitorização neurofisiológica intra-operatória.
    Entre os prelectores destacam-se o Prof. Doutor Alberto Martinez, que abordará a Semiologia Neurológica: Exame Neurológico Refinado; a Dra. Helena Beatriz Cordeiro e o Dr. Betuel, com intervenções sobre os aspectos normais da electroneuromiografia, a interpretação dos resultados e os limites do exame; e o Prof. Doutor João Adilson Ricardo Gama, que apresentará casos clínicos complexos, com enfoque na relação entre os padrões electrofisiológicos e o diagnóstico clínico.
    O Prof. Doutor Carlos Alberto Martins Júnior abordará a avaliação da distonia, incluindo o estudo clínico e neurofisiológico, bem como os princípios e as aplicações da monitorização neurofisiológica intra-operatória na prática neurocirúrgica.
    Por sua vez, o Prof. Doutor Job Monteiro apresentará o tema Aspectos normais do electroencefalograma: utilidade do EEG no diagnóstico da neurocisticercose, enquanto o Prof. Doutor Miguel Bettencourt Mateus irá reflectir sobre as perspectivas de evolução da electroencefalografia, através da abordagem Além das ondas: o futuro do EEG e do vídeo-EEG.
    Um dos momentos de destaque será a intervenção do Prof. Doutor Fernando Cendes, que abordará os desafios do diagnóstico e tratamento da epilepsia refractária, com enfoque na avaliação neurofisiológica e na sua correlação com técnicas avançadas de neuroimagem, fundamentais para apoiar a identificação das zonas epileptogénicas e o planeamento terapêutico.
    O Dr. Bruno Gumiero participará na abordagem sobre a implementação da monitorização neurofisiológica intra-operatória, desde a concepção do projecto até à realização das primeiras intervenções em casos neurocirúrgicos.
    A diversidade de temas e especialistas reforça o carácter multidisciplinar do simpósio, promovendo a articulação entre assistência clínica, formação académica e investigação científica.
    A iniciativa resulta da cooperação entre o sector público, o sector privado e a academia, envolvendo a Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto e especialistas brasileiros, numa abordagem orientada para o desenvolvimento sustentável da Neurofisiologia Clínica em Angola.
    Na ocasião, o secretário de Estado para a Saúde Pública apelou aos formandos para que partilhem os conhecimentos adquiridos e os apliquem nas respectivas instituições, contribuindo para a consolidação desta área científica no país.
    “O verdadeiro sucesso de uma formação especializada mede-se por aquilo que fica: conhecimento criado, capacidades desenvolvidas e competências que permanecem nas nossas instituições ao serviço da população”, sublinhou.
    O governante salientou ainda que as doenças neurológicas afectam a autonomia e a qualidade de vida dos cidadãos, com repercussões nas famílias e na sociedade, pelo que o reforço da capacidade de diagnóstico constitui uma prioridade para a melhoria da assistência sanitária.
    A formação em Neurofisiologia Clínica representa, neste sentido, um investimento em diagnósticos mais precisos, procedimentos mais seguros e cuidados de saúde de maior qualidade, contribuindo para o fortalecimento da capacidade técnica das instituições e para a expansão progressiva dos serviços especializados.
    O simpósio e o curso enquadram-se nos esforços do Ministério da Saúde para reforçar a formação dos recursos humanos, desenvolver competências nacionais e melhorar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.
    A iniciativa é promovida pelo Ministério da Saúde, através do Instituto de Especialização em Saúde (IES) e da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), com financiamento do Banco Mundial.
    Ao declarar oficialmente abertos os trabalhos, o secretário de Estado para a Saúde Pública reafirmou o compromisso do Ministério da Saúde com a continuidade da formação especializada, o acompanhamento dos resultados e a consolidação de competências nacionais que permitam responder, de forma progressiva e sustentável, às necessidades da população.

    FONTE: GTICI–IES/UIP-PFRHS, Ministério da Saúde, Luanda, 29 de Outubro de 2026.