Ministra Sílvia Lutucuta visita o histórico Instituto Torlak, em Belgrado, onde a delegação angolana conheceu capacidades avançadas em vacinas, diagnóstico, investigação e transferência de tecnologia
A cooperação entre Angola e a República da Sérvia no domínio da saúde ganhou, esta terça-feira, 18 de Agosto, uma nova dimensão estratégica, com a visita da ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, ao histórico Instituto de Virologia, Vacinas e Soros “Torlak”, em Belgrado.
Realizada no quadro da missão oficial da governante angolana à Sérvia, a visita esteve centrada na identificação de oportunidades de cooperação em áreas estratégicas para o reforço do Sistema Nacional de Saúde, com destaque para a formação especializada de profissionais, diagnóstico, investigação científica, produção de vacinas, imunobiológicos e transferência de tecnologia.
A ministra esteve acompanhada pelo Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Angola na República da Sérvia, Eduardo Filomeno Leiro Octávio, e por membros da delegação ministerial e diplomática.
A comitiva foi recebida pela directora e representante legal do Instituto Torlak, Ivana Marinković, e por responsáveis técnicos e científicos da instituição, que apresentaram a história, as áreas de intervenção e as capacidades científicas e tecnológicas do instituto.
Com mais de 100 anos de história, o Torlak é uma instituição sérvia de referência nas áreas da virologia, vacinação, produção de soros, imunobiológicos, diagnóstico e investigação.
Durante a sessão de apresentação, a delegação angolana conheceu as principais áreas de actuação da instituição, incluindo a produção de vacinas e outros produtos imunobiológicos, investigação científica, diagnóstico e desenvolvimento de novas tecnologias.
Entre as capacidades apresentadas estão vacinas contra gripe, tétano, difteria, tosse convulsa, incluindo a vacina BCG.
Depois da apresentação, a delegação angolana realizou uma visita guiada aos diferentes compartimentos dos quatro laboratórios do Instituto Torlak, tendo contacto directo com as capacidades técnicas, científicas e tecnológicas da instituição.
Os laboratórios dispõem de tecnologias avançadas de diagnóstico, abrangendo várias especialidades e áreas relacionadas com doenças infecciosas, diagnóstico microbiológico e virológico, além de outros procedimentos laboratoriais de elevada complexidade, incluindo a extração, ampliação e sequenciamento de DNA.
Durante o percurso, especialistas sérvios explicaram o funcionamento dos equipamentos e apresentaram os métodos utilizados no diagnóstico, investigação e acompanhamento de doenças.
O contacto permitiu à delegação angolana observar de perto uma estrutura que combina tecnologia, investigação científica, diagnóstico e experiência acumulada, abrindo perspectivas para o intercâmbio técnico e científico entre instituições dos dois países.
A componente tecnológica da visita esteve directamente ligada a outra prioridade estratégica da missão angolana: a formação e especialização dos recursos humanos da saúde.
Angola tem em curso o Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Saúde, PFRHS, que prevê a formação de aproximadamente 38 mil profissionais de saúde até 2028.
A estratégia contempla 80% das formações em Angola e 20% no exterior, através de parcerias com instituições internacionais.
É neste quadro que a delegação angolana procura identificar instituições de referência que possam contribuir para a formação especializada e o desenvolvimento de competências nacionais.
A cooperação em análise poderá abranger intercâmbio científico, especialização, capacitação técnica, investigação e transferência de conhecimento, criando novas oportunidades para a qualificação dos profissionais angolanos.
A presença, na missão, de representantes ligados à componente de formação e especialização em saúde reforça esta dimensão da agenda, com vista à identificação de possíveis parceiros para as diferentes vertentes formativas.
Um dos pontos de interesse apresentados durante a visita foi a capacidade do Torlak na área das vacinas de RNA mensageiro (mRNA), uma tecnologia que ganhou particular visibilidade mundial durante a pandemia da COVID-19.
O instituto possui um departamento dedicado às vacinas de mRNA, com actividades que incluem síntese de RNA, desenvolvimento de novos vectores, incorporação em nanopartículas lipídicas e investigação de novas formulações vacinais.
Para países que procuram desenvolver capacidades próprias de investigação e produção, o domínio desta tecnologia poderá contribuir para reduzir dependências externas e fortalecer a preparação para futuras emergências sanitárias.
É neste contexto que a visita da delegação angolana ultrapassa a simples observação de estruturas e equipamentos.
A questão estratégica passa a ser como formar profissionais, absorver conhecimento, desenvolver capacidade laboratorial e, progressivamente, criar condições para participar no desenvolvimento de tecnologias de saúde.
O Instituto Torlak possui experiência em processos de transferência de tecnologia e cooperação com parceiros externos, uma área que poderá constituir uma das frentes de aproximação com Angola.
Para o país, esta experiência abre espaço para uma cooperação assente em três pilares fundamentais: formação, transferência de tecnologia e conhecimento.
A possibilidade de profissionais angolanos beneficiarem de formação e intercâmbio em instituições especializadas no exterior poderá contribuir para acelerar a criação de competências nacionais em áreas críticas.
Ao mesmo tempo, a aproximação entre centros de investigação, laboratórios e instituições de formação poderá criar condições para uma cooperação sustentável e de longo prazo entre Angola e a Sérvia.
A visita da ministra Sílvia Lutucuta ao Instituto Torlak enquadra-se numa missão que procura identificar novas oportunidades para o desenvolvimento do sector da saúde angolano.
Ao conhecer os quatro laboratórios, as tecnologias de diagnóstico e as capacidades de investigação e produção do instituto, a delegação angolana teve contacto directo com um modelo que combina ciência,
Para Angola, a importância desta aproximação está na possibilidade de transformar a cooperação internacional em capacitação nacional, através da formação de profissionais, intercâmbio científico e eventual transferência de conhecimento e tecnologia.
A visita deixa, deste modo, uma mensagem que pode marcar a agenda da cooperação sanitária entre os dois países: não apenas adquirir, mas aprender; não apenas receber tecnologia, mas criar capacidade; não apenas formar profissionais, mas construir conhecimento.
A missão da ministra da Saúde prossegue esta terça-feira com novas actividades de trabalho, incluindo contactos com o Instituto ALIMS, no quadro da agenda de cooperação entre Angola e a Sérvia.
FONTE: EMBAIXADA DE ANGOLA NA REPÚBLICA DA SÉRVI, BELGRADO, 18 DE AGOSTO DE 2026