Ministra da Saúde recebe delegação brasileira e entrega reconhecimento internacional à parceria entre Angola e Brasil
Angola deu um novo passo no reforço da assistência especializada às doenças hematológicas, com a realização, pela primeira vez no país, de um procedimento de eritrocitaférese, no âmbito do II Workshop Internacional sobre Hemofilia, que decorreu de 17 a 20 de Agosto, em Luanda.
A iniciativa ganhou particular relevância no final da tarde de quinta-feira, 20 de Agosto, quando a Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, regressada da missão oficial à República da Sérvia, recebeu em audiência uma delegação brasileira liderada pela Professora Margareth Ozelo, do Hemocentro Unicamp, de Campinas, Brasil.
Durante o encontro, foram apresentados os resultados da cooperação entre o Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo e o Hemocentro Unicamp-Campinas, estabelecida no âmbito do Twinning Program da Federação Mundial de Hemofilia (WFH).
A audiência contou igualmente com a presença do Director-Geral do Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo, Dr. Francisco António José Domingos, bem como de outros responsáveis e técnicos do Ministério da Saúde envolvidos no acompanhamento das acções de cooperação e no fortalecimento da assistência hematológica no país.
Um dos momentos de maior destaque da audiência foi a entrega à Ministra da Saúde do Prémio de Melhor Twinning Program de 2025, atribuído pela Federação Mundial de Hemofilia às duas instituições parceiras.
A distinção reconhece os resultados alcançados no fortalecimento da assistência aos doentes com hemofilia, na formação especializada dos profissionais de saúde e na transferência de conhecimento entre Angola e Brasil.
O reconhecimento internacional constitui, igualmente, uma valorização do trabalho desenvolvido por profissionais angolanos e brasileiros e demonstra o impacto que a cooperação técnica pode produzir no desenvolvimento de competências e na melhoria da qualidade dos cuidados de saúde.
Durante a audiência, a Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, destacou a importância da parceria entre Angola e Brasil, sublinhando que o reconhecimento atribuído pela Federação Mundial de Hemofilia representa “uma confirmação de que estamos no caminho certo e de que a cooperação técnica, quando assente na formação, na transferência de conhecimento e no compromisso dos profissionais, produz resultados concretos para os nossos doentes”.
A governante realçou ainda que a realização da primeira eritrocitaférese em Angola demonstra a capacidade crescente do país de incorporar técnicas diferenciadas e reforçar a resposta nacional às doenças hematológicas, defendendo a continuidade das parcerias internacionais como instrumento para acelerar o desenvolvimento de competências e melhorar a qualidade da assistência prestada à população.
O II Workshop Internacional sobre Hemofilia reuniu 116 participantes, provenientes de Angola, Brasil, Moçambique e Cabo Verde, além de profissionais de várias unidades sanitárias das províncias de Luanda, Bengo, Icolo e Bengo, Huíla, Huambo, Benguela, Cabinda, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Bié, Cunene e Moxico.
A formação abrangeu diferentes áreas da assistência, incluindo medicina, enfermagem, odontologia, ortopedia, fisioterapia, psicologia, diagnóstico e terapêutica, promovendo uma abordagem multidisciplinar e integrada no acompanhamento de pessoas com hemofilia e doença falciforme.
O encontro contou com o apoio do Hemocentro Unicamp-Campinas e do Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo, consolidando a troca de experiências e a transferência de boas práticas entre os profissionais dos dois países.
O ponto alto da componente técnico-científica foi a realização da primeira eritrocitaférese em Angola, um marco no desenvolvimento da capacidade nacional de resposta a determinadas doenças hematológicas.
A técnica permite a remoção dos glóbulos vermelhos do doente e a sua substituição por eritrócitos provenientes de dadores, constituindo uma modalidade terapêutica diferenciada para situações clínicas específicas. A introdução deste procedimento no país representa um avanço na medicina transfusional angolana e cria novas possibilidades de acesso a cuidados especializados, reduzindo a necessidade de recorrer a capacidades técnicas existentes fora do país.
A realização do workshop, associada ao reconhecimento internacional do programa de cooperação Angola–Brasil, reforça a aposta do Ministério da Saúde na formação especializada, transferência de conhecimento, inovação e introdução de técnicas diferenciadas no Sistema Nacional de Saúde.
Para Angola, o reconhecimento da Federação Mundial de Hemofilia e a realização da primeira eritrocitaférese no país constituem dois resultados de particular importância: um confirma a qualidade da cooperação internacional desenvolvida e o outro demonstra a capacidade crescente de incorporar técnicas avançadas na assistência hematológica nacional.
FONTE: GTICI, Ministério da Saúde, Luanda, 21 de Agosto de 2026