Unidade pública de referência já realizou 1.235 atendimentos, 130 internamentos e 11 intervenções cirúrgicas e terá o maior Centro de Hemodiálise do país
Um mês depois da sua inauguração, o Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere começa a revelar, através dos números e das histórias dos seus primeiros doentes, a dimensão do papel que está chamado a desempenhar no reforço da assistência especializada em Angola.
Inaugurado a 1 de Agosto de 2026 pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, numa cerimónia que contou com a presença da Presidente da República Unida da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, o novo hospital entrou em funcionamento com a sua infra-estrutura principal concluída e equipada com tecnologia diferenciada, colocando ao serviço da população uma resposta especializada para doentes queimados e outros casos de elevada complexidade.
Localizado no Bairro Kilamba, em Luanda, o Hospital Presidente Julius Nyerere possui cerca de 47.947 metros quadrados de área de construção, distribuídos por seis pisos, com capacidade para 248 camas. Concebido como unidade hospitalar de referência do III nível, dispõe de serviços especializados, entre os quais Serviço de Urgência, Bloco Operatório com seis salas, Unidade de Terapia Intensiva, UTI de Queimados com 36 camas, Câmara Hiperbárica, Imagiologia, Laboratório, Endoscopia, Fisioterapia e Reabilitação, Psicologia, Unidade Neonatal e Brinquedoteca, entre outras valências.
A capacidade da nova unidade começou a ser demonstrada desde os primeiros dias. Logo na primeira semana de funcionamento, o hospital recebeu vítimas de queimaduras provocadas por combustível e acidentes na via pública, além de pacientes evacuados do Cuanza-Sul na sequência da tragédia registada naquela província. Casos que exigiram uma resposta rápida e diferenciada encontraram no Julius Nyerere uma estrutura preparada para prestar assistência especializada.
Durante os primeiros 30 dias, foram realizados 1.235 atendimentos, sendo 729 em regime ambulatório e 506 no Serviço de Urgência. O hospital registou ainda 130 internamentos, dos quais 96 na Enfermaria de Queimados, 11 na Enfermaria Cirúrgica e 20 na Unidade de Terapia Intensiva de Queimados. No mesmo período, foram registadas 94 altas por melhoria clínica e quatro óbitos.
No Bloco Operatório foram realizadas 11 intervenções cirúrgicas, incluindo enxertias cutâneas, desbridamentos, cirurgias reconstrutivas e amputações associadas a queimaduras graves.
Entre os casos de maior complexidade está o de um jovem de 20 anos, com queimaduras de segundo e terceiro graus correspondentes a aproximadamente 35% da superfície corporal queimada, que necessitou de amputação do terço medial distal do membro superior esquerdo e de amputação transtibial do membro inferior direito. O doente continua a receber acompanhamento multidisciplinar, envolvendo Psicologia, Nutrição, Cirurgia Vascular, Medicina Hiperbárica, Fisioterapia, Cirurgia Plástica e a equipa de feridas complexas.
A Câmara Hiperbárica constitui igualmente uma das valências diferenciadoras já em utilização. Entre os casos acompanhados está o de uma doente de 28 anos, proveniente da Maternidade Lucrécia Paim, que realizou cinco sessões de oxigenoterapia hiperbárica antes de ser submetida a reconstrução da parede abdominal. Outro doente, de 26 anos, com queimaduras profundas e de terceiro grau, realizou seis sessões antes de receber um enxerto cutâneo no membro superior direito.
A resposta do hospital assenta numa abordagem multidisciplinar, que não se limita ao tratamento das lesões. Psicologia, Fisioterapia, Reabilitação e Brinquedoteca integram esta estratégia, particularmente importante para crianças e para pacientes que necessitam de acompanhamento prolongado.
Paralelamente à assistência, a unidade tem promovido a capacitação dos seus profissionais em áreas como abordagem do doente queimado, reposição volémica, tratamento de feridas, abordagem do politraumatizado e interpretação de exames, reforçando a qualidade e a segurança dos cuidados.
À frente do hospital está uma Direcção jovem e especializada, liderada pela Dra. Yanessa Katiana Van-Dúnem Filipe de Almeida, médica especialista em Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e de Queimados. A equipa de gestão reúne profissionais de diferentes áreas, com a missão de consolidar a unidade não apenas como referência assistencial, mas também de formação e produção de conhecimento na área dos queimados.
Durante a preparação da unidade para a entrada em funcionamento, a Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, destacou a importância do capital humano para o sucesso da nova estrutura, afirmando: “Temos uma unidade sanitária moderna, equipada com tecnologia de ponta, mas sabemos que o verdadeiro diferencial está nas pessoas e no conhecimento.”
A entrada em funcionamento do Julius Nyerere representa, igualmente, a concretização da aposta do Executivo no reforço da capacidade nacional para prestar cuidados diferenciados e responder a situações de elevada complexidade dentro do país.
Outro importante investimento está a nascer no mesmo perímetro hospitalar. Na área adjacente ao hospital principal encontra-se em construção um novo Centro de Hemodiálise, que, quando concluído e entrar em funcionamento, deverá constituir o maior Centro de Hemodiálise do país.
A futura unidade terá capacidade projectada para atender 510 doentes em três turnos e até 680 em quatro turnos, abrangendo adultos e crianças, doentes crónicos e agudos, com hemodiálise convencional e diálise peritoneal. Para os casos agudos, particularmente os internados em cuidados intensivos, contará com tecnologia diferenciada, incluindo o monitor OMNI, destinado a diferentes técnicas de terapia de substituição renal contínua, como hemodiafiltração, plasmaferese, hemodiálise, SLED e hemofiltração.
A futura valência terá particular importância para o Hospital dos Queimados, uma vez que pacientes com queimaduras extensas e quadros clínicos graves podem desenvolver complicações que afectam a função renal e necessitar de terapias de substituição renal. A proximidade do centro permitirá, quando concluído, reforçar a resposta a estes casos de elevada complexidade.
Está igualmente prevista a formação de cerca de 150 profissionais do Ministério da Saúde, entre médicos, enfermeiros especializados em nefrologia, técnicos de enfermagem e pessoal de apoio, para assegurar o funcionamento da futura unidade.
Um mês depois da inauguração, os resultados do Hospital Presidente Julius Nyerere já são concretos: 1.235 atendimentos, 130 internamentos, 11 cirurgias e 94 altas por melhoria clínica, além da utilização de valências diferenciadas como a Câmara Hiperbárica, Fisioterapia, Psicologia e Reabilitação.
Por detrás de cada número está uma história. São doentes vítimas de acidentes, queimaduras graves e situações complexas que encontraram numa unidade pública uma resposta especializada, com profissionais, equipamentos e tecnologia colocados ao serviço da sua recuperação.
E é precisamente aí que reside a verdadeira dimensão do Julius Nyerere: não apenas na imponência da infraestrutura, mas na sua capacidade de transformar investimento público em assistência, tecnologia em cuidado e conhecimento em vidas salvas.
O hospital principal está concluído, equipado e em funcionamento. O Centro de Hemodiálise, ainda em construção, acrescentará futuramente uma nova e importante capacidade ao complexo.
Um mês depois, o Julius Nyerere já não é apenas uma obra. É uma unidade pública que está no terreno, a receber doentes, a realizar cirurgias, a utilizar tecnologia diferenciada e a cumprir a missão para a qual foi criada: cuidar, tratar e salvar vidas, sem deixar ninguém para trás.
Fonte: GTICI- Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, Comunicação Institucional e Imprensa (MINSA), Luanda , 11 de Setembro de 2026