O Ministério da Saúde de Angola realizou, na tarde desta terça-feira, 3 de Fevereiro uma reunião de trabalho com uma delegação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), com o objectivo de avaliar perspectivas formativas no âmbito de uma proposta de cooperação internacional entre Angola e o Brasil.
O encontro decorreu nas instalações do Ministério da Saúde, em Luanda, após o acto de abertura do primeiro workshop da especialização pós-média, e foi presidido pelo Secretário de Estado para a Saúde Pública, Dr. Carlos Alberto Pinto de Sousa.
A delegação brasileira foi integrada por Érica Kastrup (Cooperação Internacional da Fundação Oswaldo Cruz), Cláudia Santos Turco (Gestão de Projectos), Catarina Macedo Lopes (Tecnologias em Saúde) e Patrícia Van DBV Way (coordenadora Lato Sensu da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca).
Pelo lado angolano, participaram igualmente a consultora do Secretário de Estado, Dra. Dilunvuidi Pode, o director do Complexo Hospitalar General Pedro Tonha “Pedalé”, bem como o coordenador e gestor técnico da Unidade de Implementação do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), Prof. Dr. Job Monteiro, além de membros da referida unidade.
Durante o encontro, a ENSP/Fiocruz apresentou a proposta de implementação de um curso de especialização em Saúde Pública, com uma carga horária total de 1.290 horas e duração prevista de 20 a 24 meses.
A formação contempla uma forte componente presencial, podendo até 30% da carga horária ser ministrada em regime à distância, conforme autorização do Ministério da Educação do Brasil. A metodologia adoptada será baseada na resolução de problemas reais de saúde pública, promovendo a articulação entre teoria e prática.
A proposta prevê a abertura do Curso de Especialização em Saúde Pública, com 50 vagas para quadros angolanos.
Paralelamente ao curso de especialidade em Saúde Pública, foi igualmente apresentada uma proposta de curso de especialização em Entomologia Médica, como garantia de sustentabilidade formativa das equipas que trabalham na elaboração do Mapa entomológico de Angola.
A formação destina-se a profissionais da área da saúde, incluindo médicos, enfermeiros, farmacêuticos, biólogos, biomédicos e técnicos de saúde pública, e visa reforçar as competências em vigilância entomológica, identificação de vectores, controlo de doenças e fortalecimento de sistemas de vigilância epidemiológica.
A Fiocruz conta com unidades distribuídas por 26 estados brasileiros e actua nas áreas de ciência, tecnologia e inovação em saúde, promoção da saúde e defesa do direito à cidadania.
Durante a reunião, ambas as partes destacaram a importância de uma cooperação baseada na partilha de infra-estruturas, construção conjunta de conteúdos e capacitação progressiva de quadros nacionais, com vista à sustentabilidade institucional a longo prazo.
O Secretário de Estado para a Saúde Pública sublinhou a relevância estratégica da parceria, considerando que a formação especializada constitui um dos pilares fundamentais para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde.
As partes acordaram em dar continuidade aos alinhamentos técnicos e administrativos, incluindo definição de cronograma, critérios de selecção dos formandos, identificação de unidades para estágios e mecanismos de avaliação e monitorização do impacto da formação.
O início das primeiras turmas poderá ocorrer ainda no presente ano, após conclusão dos procedimentos formais entre as instituições envolvidas.