• MINISTÉRIO DA SAÚDE INTENSIFICA O COMBATE ÀS HEPATITES VIRAIS E LANÇA CAMPANHA NACIONAL DE TESTAGEM RUMO À ELIMINAÇÃO DA DOENÇA ATÉ 2030


    O Ministério da Saúde (MINSA) reforçou, esta Quarta-feira, 15 de Julho, o compromisso de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, com o lançamento de uma campanha nacional de testagem e o anúncio de novas medidas para ampliar o diagnóstico precoce, a prevenção e o acesso ao tratamento em todo o país.

    O anúncio foi feito durante o Workshop Técnico sobre o Ponto de Situação do Programa de Hepatites Virais em Angola, promovido pelo Instituto Nacional de Luta contra Sida (INLS), sob o lema "Vamos eliminar a hepatite".

    Em representação da Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, o Secretário de Estado para a Saúde Pública, Dr. Carlos Alberto Pinto de Sousa, alertou para a dimensão da doença, considerada uma das mais silenciosas e mortais do mundo, apesar de ser prevenível e tratável.

    Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022, cerca de 1,1 milhão de pessoas morreram em consequência das hepatites virais, enquanto 253 milhões vivem com hepatite B crónica, sobretudo em África, no Pacífico Ocidental e na Ásia.
    Angola entre os países de elevada prevalência
    No contexto nacional, o governante revelou que o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2023-2024) aponta uma prevalência de 21% da hepatite B em Angola, um número significativamente superior ao da infecção pelo VIH, estimada em 1,6%.
    Os homens apresentam uma prevalência de 23%, enquanto entre as mulheres o indicador é de 19%, demonstrando a dimensão do desafio para o Sistema Nacional de Saúde.
    Entre 2021 e Junho de 2026, o país notificou 18.184 casos de hepatites virais, dos quais 11% foram registados apenas no primeiro semestre deste ano. A província de Luanda concentra mais de 81% dos casos notificados, sendo que a maioria das infecções ocorre entre mulheres, sobretudo grávidas, reforçando a necessidade de ampliar o rastreio durante o pré-natal.
    Campanha nacional de testagem arranca hoje
    Como resposta, o Executivo lançou uma campanha nacional de testagem, que decorre de 15 de Julho a 15 de Agosto, abrangendo as províncias de Luanda, Uíge, Benguela, Cunene, Huíla, Cuanza Sul, Bengo, Cuanza Norte, Huambo e Icolo e Bengo.
    Outra medida considerada histórica foi a aquisição, pela primeira vez, de testes rápidos para hepatites pelo Instituto Nacional de Luta contra a SIDA (INLS), já distribuídos em 13 unidades sanitárias de Luanda, com prioridade para o rastreio de mulheres grávidas, visando impedir a transmissão da doença da mãe para o filho.
    "Apelamos ao engajamento patriótico e solidário de todos os cidadãos nesta grande campanha de saúde pública. Juntos, temos o poder de travar novas infecções, quebrar a cadeia de transmissão e salvar vidas", afirmou Carlos Alberto Pinto de Sousa.
    OMS defende maior investimento e mobilização social
    Em representação da Organização Mundial da Saúde, o especialista Nzuzi Katodi recordou que a eliminação das hepatites virais até 2030 é uma prioridade global.
    O especialista explicou que existem cinco tipos de hepatites virais (A, B, C, D e E), sendo as hepatites B e C as que representam maior preocupação em Angola. Destacou ainda que a vacina contra a hepatite B possui cerca de 95% de eficácia, mas advertiu que a cobertura vacinal no país continua insuficiente.
    Para a OMS, alcançar a meta de eliminação dependerá de um maior investimento nacional, do fortalecimento dos serviços de saúde, da comunicação social e da participação activa das comunidades na vacinação, testagem e tratamento.

    O workshop permitiu avaliar os avanços do Programa Nacional de Hepatites Virais, harmonizar estratégias entre os parceiros e consolidar o compromisso do Governo em acelerar as acções necessárias para que Angola elimine as hepatites virais como ameaça à saúde pública até 2030.

    FONTE: GTICI, Ministério da Saúde, Luanda, 15 de Julho de 2026