• Ministra da Saúde de Angola apresenta avanços na formação de quadros durante aula inaugural na USP


    A ministra da Saúde de Angola, Dra Sílvia Paula Valentim Lutucuta, apresentou, nesta Terça-feira, 10 de Março, um balanço dos investimentos e resultados alcançados no sector da saúde angolano, com destaque para o reforço da formação de recursos humanos, durante a aula inaugural do Ciclo 2026 do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola, realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), na cidade de São Paulo.

    O evento reuniu autoridades dos governos de Angola e do Brasil, entre as quais a directora adjunta do Instituto de Especialização em Saúde (IES), Dra. Ilda Jeremias, a Directora Nacional para a Saúde Pública, directores de gabinetes provinciais de saúde, representantes do Ministério da Saúde do Brasil, membros da coordenação da Unidade de Implementação do Projecto de Formação dos Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), Prof. Dr. Job Monteiro, especialistas e consultores do Ministério da Saúde de Angola, técnicos do programa e bolseiros angolanos que frequentam instituições académicas brasileiras.

    Entre os responsáveis provinciais presentes estiveram os directores dos gabinetes provinciais de saúde do Bengo, Cubango, Cuanza Sul, Cunene, Huambo, Icolo e Bengo, Moxico, Lunda Norte , Namibe, Huambo e Luanda, bem como representantes de instituições hospitalares e pedagógicas ligadas ao sector da saúde.

    Durante a aula Magna, a ministra destacou os avanços registados pelo sector da saúde angolano nos últimos anos, com particular ênfase na expansão da força de trabalho e na qualificação de profissionais.

    Segundo Sílvia Lutucuta, Angola realizou recentemente os três maiores concursos públicos da história do sector da saúde, permitindo um aumento de 43,6% da força de trabalho, passo considerado fundamental para alcançar a cobertura universal dos serviços de saúde no país.

    No domínio da formação médica, a ministra revelou que cerca de 4.000 médicos internos de especialidade encontram-se actualmente em formação em Angola, distribuídos por 39 programas de especialização, com destaque para a medicina geral e familiar. Apenas em 2025 foram certificados 399 novos especialistas nesta área.

    Outro marco destacado foi o início, pela primeira vez no sector público angolano, da formação pós-graduada em enfermagem, estruturada em 10 programas de especialização. A iniciativa deverá permitir a qualificação de 3.954 enfermeiros em áreas consideradas prioritárias, como enfermagem médico-cirúrgica, saúde comunitária, pediatria, saúde materna e neonatal, emergência e trauma, nefrologia, cuidados intensivos, infectologia, dermatologia com ênfase em feridas, anestesiologia e reanimação.

    A ministra sublinhou que estas iniciativas fazem parte de um programa nacional de especialização de 38 mil profissionais de saúde até 2028. Deste total, 20% deverão realizar formação no exterior, enquanto 80% serão formados em Angola, reforçando simultaneamente a capacidade interna do sistema nacional de saúde.

    No âmbito da cooperação com o Brasil, Sílvia Lutucuta informou que 11.648 profissionais angolanos já beneficiam directamente das iniciativas de formação, incluindo 1.174 profissionais actualmente em formação no exterior.

    Entre estes, 783 profissionais realizam os seus estudos no Brasil, número que deverá aumentar ainda este ano, com mais de 800 novos profissionais com processos de formação em preparação.

    A cooperação envolve 68 instituições brasileiras de ensino e investigação, distribuídas por 23 estados, que acolhem profissionais angolanos em programas de estágios de curta, média e longa duração, especializações e programas de fellowship.
    Para o ano académico de 2026, as instituições brasileiras disponibilizaram 1.403 vagas de formação, das quais 771 já foram preenchidas por profissionais angolanos seleccionados para iniciar os seus estudos no Brasil.

    Durante o discurso, a ministra destacou ainda que a cooperação bilateral na área da saúde ganhou novo impulso após a visita do Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a Angola, em 2023, recordando também o acordo de cooperação assinado a 23 de abril de 2024, que consolidou a parceria entre os dois países na formação de quadros e no intercâmbio científico.

    Sílvia Lutucuta agradeceu igualmente o apoio institucional do Presidente da República de Angola, João Lourenço, cuja visão estratégica, afirmou, tem colocado o sector social, em particular a saúde, entre as prioridades nacionais.

    Ao encerrar a sua intervenção, a ministra dirigiu uma mensagem aos profissionais angolanos em formação no Brasil, sublinhando a importância do seu contributo para o fortalecimento do sistema nacional de saúde.

    “Precisamos de vocês. Estamos convosco para construir o futuro das próximas gerações”, afirmou.

    A cerimónia teve início às 8h30, com a abertura da sala virtual, seguindo-se às 9h00 a abertura oficial e a composição da mesa de autoridades.

    A sessão solene contou com intervenções do reitor da Universidade de São Paulo, Aluísio Augusto Cotrim Segurado, do director da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixador Ruy Carlos Pereira, do presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Arthur Chioro, da ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, e do *ministro de estado da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha.

    Na sequência, foram realizadas palestras temáticas, com destaque para a intervenção do ministro brasileiro da Saúde, Alexandre Padilha, que apresentou o tema “SUS Soberano” e na sequência a Ministra Sílvia Lutucuta que abordou o tema sobre “Serviço Nacional de Saúde: Situação Actual e Perspectivas Futuras”.

    A programação incluiu ainda um momento de partilha de experiências, com depoimentos de preceptores, tutores, estudantes e profissionais bolseiros regressados ao país no âmbito do programa de formação, destacando o impacto da cooperação académica entre Angola e Brasil.

    Durante o evento foram igualmente entregues certificados de honra ao mérito a instituições brasileiras que participam no programa, entre elas a Universidade de São Paulo, o Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e o Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Paraná.

    Outro momento de destaque foi a assinatura do Plano de Trabalho para o ciclo 2026 do Programa Brasil–Angola, formalizada por representantes dos ministérios da saúde dos dois países, da Agência Brasileira de Cooperação e da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares.

    A cerimónia terminou com a foto oficial das autoridades e a apresentação de informes institucionais sobre o ciclo 2026, incluindo o lançamento de materiais de acolhimento para instituições formadoras e estudantes, uma chamada temática para submissão de manuscritos científicos sobre o programa e a apresentação de um curso virtual com ênfase no Sistema Único de Saúde (SUS).