• MINISTRA DA SAÚDE DESTACA HUMANIZAÇÃO, TRABALHO EM EQUIPA E PERSEVERANÇA NA RECUPERAÇÃO DA PEQUENA ROSALINA


    Cerimónia de Alta Social transforma-se numa celebração da vida, da esperança e da capacidade do Sistema Nacional de Saúde de superar desafios complexos

    O Auditório do Complexo Hospitalar de Doenças Cardeopulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento acolheu, nesta Quarta-feira, 3 de Junho, a cerimónia de Alta Social da pequena Rosalina, carinhosamente apelidada de "Menina Milagre", num momento marcado pela emoção, por testemunhos de superação e pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde angolanos.
    Sob o lema "Humanização, Vitória e Milagre", o evento foi presidido pela Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, e contou com a presença do Secretário de Estado para a Saúde Pública, Dr. Carlos Alberto Pinto de Sousa, do Secretário de Estado para a Área Hospitalar, Dr. Leonardo Inocêncio, da Directora Nacional dos Hospitais, Dra. Francisca Quifica, da Directora Nacional de Humanização, Dra. Djamila Príncipe, da Consultora da Ministra, Dra. Judith Luacute, do Director de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério da Saúde, Dr. António Costa, bem como de directores nacionais, gestores hospitalares, profissionais de saúde, representantes da sociedade civil, familiares e parceiros.
    Mais do que uma cerimónia de alta, o acto simbolizou o compromisso do Sistema Nacional de Saúde com uma assistência centrada na pessoa, que vai além do tratamento clínico e integra as dimensões humana, social e emocional do cuidado.

    Na sessão de abertura, a Directora Clínica do Complexo Hospitalar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, Dra. Ofélia Sachicola, destacou que a história da pequena Rosalina representa um marco para a instituição e para o sector da saúde em Angola, demonstrando que a conjugação entre conhecimento científico, dedicação profissional e trabalho em equipa pode transformar situações extremamente críticas em histórias de esperança e recuperação.
    Durante o painel temático "A Força do Sistema Nacional de Saúde", especialistas abordaram diferentes dimensões do processo de recuperação da paciente. O assistente social Dr. João Miguel apresentou a importância da Alta Social como um dos pilares da humanização dos cuidados, defendendo que a recuperação integral do paciente exige não apenas estabilidade clínica, mas também condições adequadas para o seu regresso seguro ao ambiente familiar e comunitário.
    Segundo explicou, a Alta Social constitui uma intervenção especializada que avalia factores sociais, familiares e económicos susceptíveis de influenciar a continuidade dos cuidados após a saída do hospital, contribuindo para uma assistência mais humanizada e para melhores resultados em saúde.

    Um dos momentos mais emocionantes da cerimónia foi a apresentação do percurso clínico da pequena Rosalina pela médica Dra. Glória Mawete. A especialista recordou os momentos mais difíceis enfrentados pela equipa, incluindo episódios de extrema gravidade clínica que colocaram em risco a vida da paciente.

    Ao longo de vários meses de internamento, Rosalina foi acompanhada por uma vasta equipa multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e outros profissionais que trabalharam de forma articulada para garantir a sua recuperação.
    A equipa relatou os desafios associados ao tratamento de uma lesão de pressão de grau IV e às complicações decorrentes da cirurgia cardíaca, destacando o papel decisivo da persistência, da inovação terapêutica e da cooperação entre diferentes especialidades.

    Na ocasião, foi igualmente reconhecido o empenho de todos os profissionais envolvidos, com especial destaque para as equipas de enfermagem, fisioterapia, cirurgia e cuidados intensivos e outros profissionais . O sucesso alcançado foi apontado como resultado de um verdadeiro trabalho de equipa, assente no respeito mútuo, na valorização do conhecimento de cada profissional e na capacidade de unir esforços em torno de um objectivo comum: salvar uma vida.
    A fisioterapeuta Beatriz apresentou o contributo da fisioterapia para a recuperação funcional da paciente, revelando que foram realizadas mais de uma centena de sessões terapêuticas destinadas à reabilitação respiratória e motora, fundamentais para devolver autonomia e qualidade de vida à criança.
    Outro momento marcante foi o testemunho da Associação Angolana Pequenos Corações, representada pela sua Secretária-Geral, que partilhou a experiência de acolhimento da paciente e da sua mãe durante o período pós-hospitalar.
    A responsável destacou a força, a resiliência e a fé demonstradas pela família ao longo de todo o processo, revelando que Rosalina foi a primeira criança acolhida na Casa Japonesa da Associação Angolana Pequenos Corações, uma iniciativa criada para apoiar famílias de crianças com cardiopatias durante os seus tratamentos.
    Segundo referiu, a experiência reforçou a importância das redes de apoio social e da solidariedade na recuperação dos pacientes, demonstrando que o cuidado em saúde deve continuar para além das paredes do hospital.
    No encerramento da cerimónia, a Ministra da Saúde destacou a história de Rosalina como um exemplo inspirador de perseverança, competência técnica, humanização dos cuidados e compromisso com a vida.
    A governante defendeu que os profissionais de saúde nunca devem desistir perante situações clínicas complexas, devendo esgotar todas as possibilidades de análise, reflexão e intervenção para garantir que nenhuma oportunidade de salvar vidas seja desperdiçada.
    "A nossa obrigação é fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Quando esgotamos todas as possibilidades, ficamos com a consciência tranquila de que cumprimos a nossa missão", afirmou.

    A Ministra salientou que Angola dispõe actualmente de profissionais altamente qualificados em diversas especialidades e que o principal desafio consiste em reforçar a organização dos serviços, a multidisciplinaridade e a articulação entre equipas.
    "Ninguém sabe tudo. As soluções surgem quando trabalhamos juntos, quando partilhamos experiências e quando procuramos apoio nos colegas que dominam áreas específicas do conhecimento", sublinhou.

    Dirigindo-se aos profissionais presentes, a governante destacou que a recuperação da pequena Rosalina deixa importantes ensinamentos para todo o Sistema Nacional de Saúde.
    "Eventos desta natureza devem servir para aprendermos uns com os outros. A primeira lição é lutar até ao fim. Nunca devemos desistir de um doente, por mais complexo que seja o caso. A segunda lição é chamar os outros. Mesmo quando pensamos que sabemos tudo, a opinião de outro colega pode trazer uma visão diferente e ajudar-nos a encontrar novas soluções. A multidisciplinaridade tem de funcionar e ser uma ferramenta permanente para salvar vidas", afirmou.

    A Ministra aproveitou igualmente a ocasião para prestar homenagem a todos os profissionais que contribuíram para a recuperação da criança.
    "Quero deixar um abraço especial aos nossos médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos, fisioterapeutas, assistentes sociais e a todos aqueles que participaram nesta recuperação. Cada um teve um papel importante nesta vitória. A humanização dos cuidados faz-se com pessoas comprometidas, que colocam o coração e o conhecimento ao serviço dos doentes", declarou.

    A titular da pasta da Saúde valorizou particularmente o papel dos enfermeiros, classificando-os como a espinha dorsal do Sistema Nacional de Saúde, e destacou igualmente a importância dos assistentes sociais no acompanhamento dos doentes, defendendo uma maior valorização destes profissionais e das suas competências técnicas.
    A governante alertou ainda para a necessidade de olhar para além da alta clínica, lembrando que muitos pacientes continuam a enfrentar situações de vulnerabilidade após deixarem as unidades sanitárias.
    "A Alta Social é uma peça fundamental do processo de recuperação. O nosso trabalho não termina quando o doente recebe alta clínica. Precisamos de garantir que ele regresse ao seu ambiente familiar e comunitário com as condições necessárias para continuar a sua recuperação e viver com dignidade", enfatizou.

    A Ministra defendeu igualmente a realização regular de sessões clínicas multidisciplinares, workshops e fóruns de discussão de casos complexos, considerando que os desafios mais difíceis devem mobilizar o conhecimento colectivo do sistema e não apenas de uma única instituição.
    Para a governante, a história da pequena Rosalina demonstra que a excelência clínica deve caminhar lado a lado com a humanização dos cuidados.
    "A humanização não pode ser apenas um conceito. Tem de estar presente em cada gesto, em cada atendimento e em cada decisão que tomamos. É isso que fortalece a confiança dos cidadãos nos serviços de saúde e dá sentido à nossa missão de cuidar da vida", concluiu.

    A cerimónia terminou num ambiente de profunda emoção, com momentos culturais, homenagens e reconhecimento público das equipas que contribuíram para a recuperação da pequena Rosalina.
    A história da "Menina Milagre" tornou-se, assim, um símbolo da capacidade do Sistema Nacional de Saúde de transformar desafios em vitórias, demonstrando que a humanização, o trabalho em equipa, a solidariedade e a dedicação dos profissionais continuam a ser pilares fundamentais para a construção de uma saúde cada vez mais próxima, inclusiva e centrada nas pessoas.

    Fonte: Ministério da Saúde (MINSA)Luanda, 3 de Junho de 2026