Iniciativa do PFRHS, em parceria com a Universidade Privada de Angola (UPRA), disponibiliza 120 vagas de licenciatura em Nutrição e Terapia da Fala, proporcionando novas oportunidades de qualificação académica e reforçando as competências dos profissionais do Sistema Nacional de Saúde
O Ministério da Saúde (MINSA), através da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), está a promover a formação superior de 120 profissionais de saúde, admitidos nos cursos de licenciatura em Nutrição e Terapia da Fala, na Universidade Privada de Angola (UPRA), no ano académico 2026/2027.
A iniciativa representa um importante passo na valorização dos quadros nacionais, ao proporcionar oportunidades de acesso ao ensino superior a profissionais que, apesar das suas responsabilidades diárias na assistência sanitária, procuram continuar a estudar, aprofundar conhecimentos e desenvolver competências especializadas para melhorar a qualidade dos cuidados prestados à população.
Do total de beneficiários, 60 frequentam a licenciatura em Nutrição e outros 60 a licenciatura em Terapia da Fala, duas áreas relevantes para a prevenção de doenças, a recuperação dos pacientes e o reforço da assistência diferenciada nas unidades sanitárias do País.
No dia 15 de Outubro, a Coordenação da UIP-PFRHS recebeu três profissionais do Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo, beneficiários desta iniciativa, num encontro destinado a acompanhar os seus percursos formativos, conhecer as suas expectativas e identificar os desafios associados à frequência do ensino superior.
A reunião foi presidida pelo coordenador e gestor técnico da UIP-PFRHS, Prof. Job Monteiro, e contou com a participação de Dr. Adão Chimuanji, consultor da Unidade, e da Dra. Isabel Gria, especialista de Salvaguardas Ambientais, bem como a especialista de comunicação, informação e gestão do conhecimento.
Durante o encontro, foram abordadas questões relacionadas com a conciliação das actividades académicas com as responsabilidades profissionais, bem como a importância do acompanhamento institucional para favorecer a continuidade e o sucesso da formação.
A Coordenação do Projecto destacou, neste contexto, a necessidade de reforçar a articulação entre a UIP-PFRHS, as unidades sanitárias e as instituições de ensino superior, de modo a facilitar a identificação de soluções para os desafios apresentados pelos beneficiários e assegurar melhores condições para o aproveitamento académico.
Entre os beneficiários encontra-se Angelina João Lopes, técnica média de Enfermagem do Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo, admitida à licenciatura em Nutrição, que considera esta oportunidade um marco importante no seu percurso pessoal, académico e profissional.
Visivelmente satisfeita com a possibilidade de prosseguir os estudos, a profissional recorda que concluiu a formação média em 2002 e que, desde então, aguardava uma oportunidade para ingressar no ensino superior.
“Depois de 22 anos, é de agradecer”, afirmou, manifestando a sua gratidão a Deus e à Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Lutucuta, pela oportunidade concedida aos profissionais do sector.
Para Angelina João Lopes, a formação em Nutrição representa mais do que a concretização de uma aspiração académica: constitui uma oportunidade de adquirir conhecimentos que poderão ser aplicados directamente no seu local de trabalho, particularmente no acompanhamento nutricional de crianças com doenças hematológicas.
A profissional pretende reforçar a educação alimentar dirigida aos pais e encarregados de educação, contribuindo para uma melhor compreensão da importância da alimentação adequada no acompanhamento e na recuperação dos pacientes.
“Escolhi o curso de Nutrição para ter mais conhecimento nesta área. Uma vez que trabalhamos num hospital de hematologia, queremos dar mais educação aos pais sobre como devem controlar a alimentação dos nossos pacientes”explicou.
A beneficiária sublinhou ainda a importância da iniciativa para os trabalhadores que, por diferentes razões, não conseguiram prosseguir os estudos após a conclusão do ensino médio.
Na sua mensagem aos colegas e demais beneficiários, apelou ao compromisso, à dedicação e ao aproveitamento responsável da oportunidade.
“Devemos ter garra e força, dedicarmo-nos, porque esta oportunidade é difícil. Se conseguimos, temos de aplicar os conhecimentos, ter vontade e dedicar-nos muito, defendeu.
Outra beneficiária, Yúri Francisco António, também profissional do Instituto Hematológico Pediátrico, integra o grupo de quadros que beneficiam desta oportunidade de formação superior, com perspectivas de crescimento académico e profissional.
Os percursos destes profissionais evidenciam a importância de investir na qualificação dos trabalhadores do sector da Saúde, criando condições para que possam actualizar conhecimentos, adquirir novas competências e contribuir para a melhoria contínua dos serviços prestados à população.
Na área da Nutrição, a formação especializada poderá reforçar a capacidade de acompanhamento alimentar dos pacientes, com particular relevância para crianças que necessitam de cuidados diferenciados. Por sua vez, a licenciatura em Terapia da Fala permitirá desenvolver competências importantes para a avaliação e intervenção nas dificuldades de comunicação e nas alterações da fala e da linguagem.
A aposta nestas áreas contribui, assim, para ampliar as capacidades técnicas dos profissionais e promover uma assistência mais especializada, humanizada e orientada para as necessidades dos utentes.
A formação dos 120 profissionais enquadra-se na colaboração institucional entre o Ministério da Saúde, o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação e a Universidade Privada de Angola, visando ampliar as oportunidades de acesso à formação superior e reforçar a qualificação dos recursos humanos do sector.
A iniciativa demonstra a importância de articular a formação académica com as necessidades concretas do Sistema Nacional de Saúde, permitindo que profissionais com experiência prática nas unidades sanitárias aprofundem os seus conhecimentos e os apliquem no exercício das suas funções.
Para os beneficiários, a oportunidade representa também um incentivo à aprendizagem contínua, à progressão académica e à valorização profissional, com potencial para produzir benefícios que ultrapassam o percurso individual de cada estudante e se reflectem na qualidade da assistência prestada aos cidadãos.
O Projecto prevê que 80% da formação decorra em Angola e 20% no estrangeiro, privilegiando o desenvolvimento de competências, o reforço da capacidade técnica nacional e a valorização dos profissionais que asseguram diariamente o funcionamento do Sistema Nacional de Saúde.
Fonte: GTICI – MINSA/UIP-PFRHS, Luanda, 16 de Outubro de 2026.