Após o trágico acidente ocorrido no dia 14 de março de 2026, que resultou em 10 mortos, entre os quais seis profissionais de enfermagem, a Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, realizou na manhã de 15 de Março uma visita aos hospitais que acolhem as vítimas, com o objectivo de acompanhar de perto o estado clínico dos sobreviventes e prestar solidariedade às famílias afectadas.
A governante iniciou a jornada de trabalho no Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, unidade que concentra os casos mais graves. A ministra esteve acompanhada pelo Secretário de Estado para a Área Hospitalar, Dr. Leonardo Inocêncio, pelo Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Dr. Eduardo Caiundo, bem como pelos directores da unidade hospitalar e responsáveis do Ministério da Saúde.
Durante declarações à comunicação social, a ministra manifestou profunda consternação pela perda de vidas humanas, destacando o impacto da tragédia sobre os profissionais de saúde e as famílias angolanas.
“Queremos reiterar que o ambiente de consternação geral continua a sentir-se em grande medida pela perda irreparável destes angolanos, entre os quais seis profissionais de saúde”, afirmou.
Segundo a ministra, as questões administrativas e de perícia relacionadas com os óbitos estão a ser tratadas pelo sector da saúde, pelos governos provinciais e pelas entidades competentes do Ministério do Interior.
A titular da pasta da Saúde explicou que todos os ocupantes do autocarro são considerados sinistrados, tendo sofrido diferentes níveis de trauma, desde lesões moderadas até casos de elevada complexidade. Entre os ferimentos registados estão:
- Traumatismos cranianos;
- Lesões medulares;
- Traumatismos torácicos e abdominais.
O processo cirúrgico teve início ainda na noite de sábado, com mais de 15 cirurgias já realizadas, número que deverá aumentar nos próximos dias, à medida que os doentes se encontrem clinicamente aptos para novos procedimentos. Alguns casos, sobretudo traumas torácicos complexos e fraturas expostas graves, exigem tratamento prévio com antibióticos de largo espectro antes da intervenção cirúrgica.
No Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, encontram-se seis pacientes na Unidade de Cuidados Intensivos, incluindo um jovem em estado crítico, com traumatismo craniano grave, em coma, e traumatismo torácico complexo, que inspira cuidados redobrados. Apesar da gravidade, os doentes pós-operatórios apresentam evolução clínica satisfatória e permanecem estáveis, sob vigilância médica contínua.
No Hospital do Prenda, os pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas e tratamento de traumatismos abdominais encontram-se estáveis, mas continuam a inspirar cuidados.
No Hospital Geral de Luanda, estão internados sete pacientes, entre os quais um bebé de sete meses cuja mãe faleceu no acidente, estando o infante estável e sob acompanhamento médico.
No Hospital Bispo Emílio de Carvalho, deram entrada inicialmente 18 pacientes, dos quais três já tiveram alta.
Dos 10 corpos resultantes do acidente, nove já foram identificados, permanecendo um adulto ainda por reconhecer. As autoridades, incluindo Polícia de Trânsito, SIC e Ministério da Justiça, estão a trabalhar para concluir o processo de identificação. Uma delegação enviada pelo Governo da Província de Cabinda acompanha os procedimentos de transladação dos corpos para a província.
As autoridades sanitárias estão também a prestar apoio psicológico às famílias enlutadas, num momento de grande dor para o país.
A Ministra da Saúde assegurou que o Executivo continuará a acompanhar permanentemente a evolução clínica dos pacientes, garantindo todos os meios necessários para o tratamento dos feridos.